Crise financeira do Botafogo se agrava e expõe atrasos de salários, transfer ban e cortes em diversos setores do clube.
Eu acompanho de perto as finanças dos clubes brasileiros e me surpreendi quando o Botafogo confirmou, nesta semana, que ainda deve dois meses de direitos de imagem ao elenco, mesmo após quitar uma das folhas para evitar protesto dos atletas antes do jogo contra o Volta Redonda.
Crise financeira do Botafogo atrasa salários e gera cortes
O Botafogo atravessa seu momento mais delicado desde que virou SAF, em janeiro de 2022. Além do transfer ban imposto pela Fifa por uma dívida de US$ 21 milhões com o Atlanta United pela contratação de Almada, a diretoria encara cobranças internas: o grupo de jogadores acumula dois meses de direitos de imagem em aberto. Os vencimentos em carteira (CLT) estão em dia, mas o valor referente às imagens acabou ficando três meses atrasado e só teve uma parcela quitada nesta terça-feira.
A regularização parcial ocorreu depois de reunião entre elenco e diretoria. Com o pagamento, os atletas se apresentaram normalmente na quarta-feira pela manhã e venceram o Volta Redonda por 1 a 0. Na entrevista pós-jogo, o zagueiro e capitão Barboza externou o desconforto: “Eu quero ficar, mas preciso ter certeza do que vai acontecer. O clube primeiro tem que regularizar a situação”, afirmou.
Pressão interna e dúvidas sobre o futuro
O incômodo não é exclusivo dos titulares. Há relatos de:
- FGTS atrasado para parte do elenco;
- Luvas não quitadas em contratações recentes;
- Comissões a empresários pendentes, o que fez agentes aconselharem jogadores a evitar o clube.
No ambiente administrativo, funcionários relatam clima de incerteza. A ordem de cima é cortar gastos em todos os departamentos, impactando inclusive as categorias de base e o futebol feminino, que podem ficar fora de torneios internacionais em 2025.
Necessidade de vender atletas
Na terça-feira, o diretor de gestão esportiva Alessandro Brito admitiu publicamente que o Botafogo “fatalmente” precisará vender jogadores para equilibrar o caixa. Nesta janela, já saíram Marlon Freitas para o Palmeiras, David Ricardo para o Dínamo de Moscou e Savarino para o Fluminense. Internamente, não se descarta negociar outras promessas valorizadas, como o argentino Montoro, 18 anos, e o colombiano Barrera, 19.
A necessidade de liquidez se tornou mais urgente após a punição da Fifa. Sem pagar o Atlanta United, o clube está impedido de registrar reforços. Assim, o atacante Villalba e os zagueiros Ythallo e Riquelme, contratados recentemente, permanecem fora do BID até que a dívida seja quitada. A janela brasileira fecha em 3 de março.
Ausência de John Textor e busca por aporte
Responsável pela SAF, o americano John Textor não aparece no Brasil desde a primeira semana de dezembro. Nos bastidores, ele garante que obterá um aporte de “amigos” para resolver as pendências mais urgentes, mas não estipula data. A demora reforça o sentimento de instabilidade entre jogadores e funcionários.
Imagem: Divulgação
Textor também enfrenta litígios internacionais. O fundo Ares cobra na Justiça valores referentes à compra do Lyon em 2022, enquanto a Iconic Sports Management exige US$ 97 milhões relativos a 15,7% das ações da Eagle Football, que deveriam ter sido recompradas caso a empresa não fosse listada em bolsa – fato que não aconteceu.
Histórico recente de atrasos
O cenário não é inédito. No início de 2025, o elenco chegou a ameaçar não se reapresentar diante de débitos envolvendo a premiação da conquista da Libertadores, 13º salário e férias. A direção contornou a crise momentaneamente, mas agora volta a conviver com atrasos e pressão externa.
Enquanto isso, a Fifa mantém o transfer ban. O Atlanta United, amparado pela MLS, aceita o pagamento integral à vista ou metade agora e o restante em até um ano. Qualquer acordo depende da entrada imediata de recursos.
Para o torcedor, resta aguardar a definição sobre a chegada do aporte prometido por Textor e acompanhar possíveis vendas que aliviem o fluxo de caixa a curto prazo. Até lá, o Botafogo segue tentando equilibrar contas, vestiário e desempenho em campo sob forte tensão financeira.
Veja outras atualizações sobre o clube na página dedicada ao Alvinegro em maisbola.com.br/botafogo.
Resumo: o Botafogo vive nova crise financeira: direitos de imagem atrasados, FGTS pendente, transfer ban por dívida de US$ 21 milhões e necessidade de vender jogadores. A diretoria busca aporte externo, mas ainda sem data definida. Continue navegando no site para ficar por dentro das próximas movimentações do mercado da bola.



