Jorge Jesus voltou a explicar — e eu, que acompanho de perto sua trajetória desde a passagem pelo Rio, fiquei atento — o motivo que o fez interromper uma das eras mais vitoriosas da história do Flamengo: o medo gerado pela Covid-19.
Sete anos após a campanha de 2019 que encantou o país, o treinador português detalhou em sua coluna no jornal Record, publicada em 10 de março de 2026, os bastidores da decisão que o levou de volta a Lisboa em pleno auge rubro-negro.
Jorge Jesus explica saída do Flamengo sete anos depois
Segundo o técnico, aquele período inicial da pandemia transformou o apartamento onde morava na Barra da Tijuca em “uma prisão”. O primeiro teste para o novo coronavírus deu positivo; o segundo, inconclusivo. Por precaução, médicos — equipados com roupas de proteção — o examinavam a distância, enquanto funcionários do clube deixavam refeições na porta e se afastavam antes que a porta fosse aberta. “Sentia que no Brasil a Covid parecia sentença de morte. Então decidi que, se fosse para morrer, seria em Portugal”, escreveu.
O treinador afirma que, não fosse a crise sanitária, ainda estaria à frente do Flamengo. “Foi o maior clube que dirigi, o grupo mais interessado em entender cada exercício e cada conversa”, elogiou.
Pandemia foi ponto decisivo
Em julho de 2020, o Benfica quitou a multa rescisória de 1 milhão de euros (cerca de R$ 6 milhões) e levou o comandante de volta à Luz. Jesus permaneceu em Lisboa até o fim de 2021, seguiu para o Fenerbahçe, depois para o Al-Hilal e, em 2025, assumiu o Al-Nassr, clube com o qual mantém contrato até hoje.
- 81,3% de aproveitamento — melhor marca de um técnico do Flamengo no século.
- Cinco títulos oficiais em 13 meses, terceiro maior vencedor da história rubro-negra.
- Primeiro estrangeiro campeão brasileiro na era dos pontos corridos e do Carioca desde 1966.
O luso recorda com orgulho o convívio diário no Ninho do Urubu. “Eu ficava no gramado explicando tudo no fim do treino”, contou, ressaltando a curiosidade do elenco por métodos táticos e de preparação física. Esse ambiente, segundo ele, consolidou a identificação imediata com torcida e jogadores.
Imagem: Alexandre Vidal Flamengo
A lembrança faz com que seu nome resurja sempre que o Flamengo cogita mudar de comando. Mesmo longe, Jorge Jesus mantém o Laço: acompanha pela televisão, envia mensagens e guarda contato frequente com ex-dirigidos.
Em mais de uma ocasião, diretores rubro-negros sondaram a possibilidade de um retorno, mas o contrato milionário no Oriente Médio e questões familiares pesaram contra. O técnico, porém, não descarta a hipótese de nova aventura carioca, desde que as circunstâncias — sanitárias e esportivas — permitam.
Resumo: Jorge Jesus declarou que deixou o Flamengo em 2020 por temer a Covid-19 e assegurou que, sem a pandemia, ainda comandaria o clube. Continue acompanhando outras novidades do Rubro-Negro em maisbola.com.br/flamengo.



