Afastamento de Tuma Júnior do comando do Conselho Deliberativo do Corinthians entrou em rota de colisão jurídica nesta semana, quando o vice-presidente do órgão, Leonardo Pantaleão, declarou que não assumirá o posto até que a Justiça reconheça a validade da sessão que definiu o afastamento.
Eu acompanho de perto a política alvinegra e percebo que, nesta disputa, cada movimento pode alterar o rumo da reforma estatutária e da futura eleição presidencial.
Afastamento de Tuma Júnior no Corinthians é questionado
A polêmica ganhou força após a reunião extraordinária da última segunda-feira, convocada pelo presidente do Conselho, Osmar Stabile, para votar o afastamento de Romeu Tuma Júnior. Dos 290 conselheiros, 137 compareceram; 115 votaram a favor do afastamento, 15 foram contra e sete se abstiveram.
Mesmo diante da maioria simples, Pantaleão – sucessor imediato na linha hierárquica – afirmou em nota oficial que a “eventual assunção de função não se opera de forma automática” e que “os atos institucionais serão praticados com estrita observância ao Estatuto Social, até a devida verificação de sua conformidade”.
Entenda o embate jurídico
O vice argumenta que há irregularidades no rito estatutário da convocação e da condução dos trabalhos. Parte dos conselheiros, incluindo ele próprio, não compareceu justamente por considerar o encontro nulo de pleno direito. Sem essa chancela, Pantaleão sustenta que não há “alteração formal” na presidência do Conselho Deliberativo.
- Reunião teve quórum de 47% dos conselheiros (137 de 290).
- Pantaleão questiona a convocação feita por Stabile.
- Reconhecimento judicial é requisito imposto pelo vice para assumir o cargo.
O Estatuto Social do Corinthians prevê quórum mínimo e formalidades específicas para deliberações que mexam na composição da mesa diretora. Segundo o vice, esses requisitos não teriam sido plenamente atendidos, o que torna a deliberação, em suas palavras, “susceptível de vício formal”.
Raízes da crise: reforma estatutária em jogo
A disputa atual é consequência direta da sessão de 9 de março, quando os conselheiros deveriam analisar ponto a ponto a reforma do estatuto. A principal mudança proposta permite que sócios do programa Fiel Torcedor passem a votar para presidente.
Antes do início da votação, Stabile acusou Tuma Júnior de interferir na gestão e, segundo ele, ameaçá-lo dentro do Parque São Jorge: “Ou você faz o que eu quero ou eu vou te foder”. O ambiente ficou tenso, houve empurrões e o encontro acabou suspenso. Tuma remarcou a assembleia geral dos associados para 18 de abril.
Imagem: Divulgação
Em seguida, Stabile protocolou denúncia na Comissão de Ética e Disciplina – presidida pelo próprio Pantaleão – solicitando investigação do episódio.
Próximos passos e possível impacto no clube
Enquanto a legalidade da sessão não for sacramentada, o Conselho Deliberativo permanece sem clareza sobre quem ocupa a cadeira principal. Esse vácuo de poder pode atrasar:
- A votação definitiva da reforma do estatuto.
- A preparação para a assembleia geral de 18 de abril.
- Decisões administrativas que dependem da assinatura do presidente do Conselho.
O cenário também interfere diretamente na gestão de Osmar Stabile, presidente do Corinthians desde meados de 2025, que tenta viabilizar mudanças internas antes do ciclo eleitoral.
Sem consenso, a tendência é que ambas as partes recorram ao Poder Judiciário para validar – ou anular – a sessão contestada. Até lá, o clube conviverá com incertezas políticas às vésperas de decisões estratégicas.
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Resumo: Leonardo Pantaleão, vice do Conselho Deliberativo, recusa-se a assumir a presidência após sessão que afastou Romeu Tuma Júnior, alegando irregularidades estatutárias. O impasse judicial pode atrasar a reforma do estatuto e agravar a já intensa crise política no Corinthians. Continue navegando no MaisBola para entender como essa disputa impactará o futuro do Timão.


