Santos x Corinthians terminou em 1 a 1 na Vila Belmiro e, eu que acompanho de perto o clube praiano, fiquei surpreendido com o alívio visível dos santistas após o apito final.
O clássico da 6ª rodada do Brasileirão 2026 deixou o Peixe com sensação de “lucro”: mesmo com dois atletas expulsos, o time segurou o rival e, ainda assim, expôs antigas fragilidades que o técnico Juan Pablo Vojvoda tenta corrigir.
Santos x Corinthians: empate dramático expõe falhas do Peixe
Suspenso, Vojvoda acompanhou do camarote e deu as instruções ao auxiliar Gastón Liendo, que escalou um inédito 3-5-2. A ideia era povoar o meio-campo, pressionar alto, forçar erros corintianos e liberar a dupla Neymar e Gabigol para decidir perto da área.
Nos primeiros minutos, a estratégia funcionou: o Santos trocou passes com velocidade, avançou pelos lados com Rony e Barreal e encurralou o adversário. O problema apareceu na transição defensiva. Em lançamento longo, Depay aproveitou desorganização da última linha alvinegra, entrou livre e abriu o placar.
Primeiro tempo promissor, velho problema na defesa
Apesar do susto, o Peixe reagiu rápido. Um presente de Gabriel Paulista, que recuou mal, permitiu a Gabigol empatar e reduzir a pressão na arquibancada. Ainda assim, ficaram evidentes:
- Recomposição lenta dos alas após perda da bola;
- Falta de combatividade no meio, facilitando tabelas rivais;
- Dependência excessiva de lances individuais de Neymar.
No intervalo, a torcida acreditava que a posse de bola inicial se traduziria em virada. Não aconteceu. O Corinthians passou a explorar ainda mais a ligação direta, obrigando o goleiro Gabriel Brazão a trabalhar.
Segundo tempo de apagão e expulsões
A etapa final repetiu o roteiro visto contra Mirassol: intensidade caiu, criatividade sumiu e o adversário trocou passes com facilidade. Neymar, ausente de listas recentes da Seleção, errou quase metade dos passes e insistiu em conduções longas, perdendo tempo e espaços.
Para piorar, o zagueiro Luan Peres, até então seguro na temporada, falhou duas vezes em sequência e recebeu cartão vermelho. Pouco depois, o jovem Vini Lira deixou o gramado chorando com lesão muscular, limitando as opções defensivas. Com nove em campo, o Santos recuou completamente.
Imagem: Divulgação
O Corinthians tentou aproveitar a superioridade numérica, rondou a área, mas parou em Brazão e na trave. Quando o árbitro encerrou o duelo, os santistas comemoraram o ponto como vitória — um sintoma claro da fase irregular.
O que vem pela frente
A diretoria sabe que, embora a novidade tática mostre tentativa de ajuste, os problemas persistem:
- Desorganização ao sofrer contra-ataques;
- Carência de construção coletiva sem a inspiração de Neymar;
- Queda física brusca na metade final das partidas.
Vojvoda terá pouco tempo para ajustes. Na quarta-feira, o Santos recebe o Internacional, novamente na Vila Belmiro, pela 7ª rodada. A expectativa é recuperar Vini Lira, repensar a formação e, sobretudo, apresentar evolução para afastar o risco de turbulência precoce no trabalho argentino.
Resumo: o empate no clássico expôs as antigas fragilidades defensivas, a dependência de Neymar e a falta de criação coletiva, mas evitou uma derrota que poderia aumentar a pressão interna.
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