Saques em carros-fortes: R$ 11 mi somem no São Paulo

Saques em carros-fortes movimentaram R$ 11 milhões dos cofres do São Paulo Futebol Clube entre 2021 e 2025, segundo a Polícia Civil. Eu, que acompanho o dia a dia financeiro dos grandes clubes, fiquei surpreso com a escala dessas retiradas em espécie.

A investigação teve início após denúncia anônima sobre possíveis desvios estruturados no clube. De lá para cá, surgiram indícios de crimes como associação criminosa, apropriação indébita e furto qualificado, todos em apuração pelo delegado Tiago Correia.

Saques em carros-fortes: R$ 11 mi somem no São Paulo

O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que, em cinco anos, foram realizados 35 saques em espécie. Os dois primeiros, que somaram R$ 600 mil, ocorreram nas mãos de um ex-funcionário. A partir daí, o clube passou a contratar uma empresa de transporte de valores, o que, segundo a polícia, dificulta rastrear o destino final do dinheiro.

De todos os anos analisados, 2024 concentrou 11 retiradas. Já em 2025, foram identificadas cinco operações que totalizaram R$ 1,7 milhão. No universo completo da investigação, a soma atinge R$ 11 milhões.

Perguntas centrais da investigação

Embora o São Paulo seja tratado como vítima, a polícia tenta descobrir por que as quantias deixaram o banco em espécie e para quem os malotes eram repassados ao final do trajeto.

  • Quem recebeu: localização dos destinatários finais é desconhecida.
  • Como ocorreu: retirada pré-agendada, uso de carros-fortes e entrega direta à tesouraria.
  • Por que em dinheiro vivo: justificativa oficial é pagamento de arbitragem e premiações (“bicho”).

Entre os nomes citados no inquérito está Nelson Marques Ferreira, diretor adjunto de 2021 a novembro de 2024. A polícia identificou que ele adquiriu cerca de 15 franquias comerciais em curto espaço de tempo, o que ampliou o foco das investigações e levou o Coaf a monitorar suas movimentações.

Movimentação na conta do presidente

A apuração também examina uma conta conjunta do presidente Júlio Casares com a ex-esposa, Mara Casares. Entre janeiro de 2023 e maio de 2025, foram depositados R$ 1 milhão em espécie, sempre abaixo de R$ 50 mil, teto que aciona alerta automático no Coaf. Segundo a polícia, não há ligação direta entre esses depósitos e os saques feitos pelo clube.

A defesa de Casares afirma que os valores têm origem lícita e resultam de recursos acumulados na iniciativa privada antes de sua gestão no São Paulo.

Outros episódios sob apuração

O inquérito também inclui possível venda irregular de camarotes do estádio em shows, revelada em outubro de 2024. Na ocasião, Mara Casares se afastou do cargo de diretora de eventos. Áudios que mencionam seu nome, atribuídos ao ex-diretor Douglas Schwartzman, estão anexados ao processo. Ambas as defesas afirmam que o conteúdo foi tirado de contexto.

Posicionamento do clube

Por meio de seu advogado, o São Paulo declara que não é alvo da investigação e garante que 100% dos R$ 11 milhões constam nos balanços. O dinheiro teria sido usado para pagar arbitragem e prêmios de desempenho aos atletas.

O caso amplia a crise política no Morumbi às vésperas da votação do pedido de impeachment do presidente Júlio Casares.

Para acompanhar mais análises sobre a situação do Tricolor, confira a cobertura completa em maisbola.com.br/sao-paulo.

Resumo: Delegado investiga 35 saques em carros-fortes que retiraram R$ 11 milhões do São Paulo entre 2021 e 2025. Destino do dinheiro ainda é desconhecido, e a crise política se aprofunda. Continue navegando no Mais Bola para entender todos os desdobramentos do futebol brasileiro.

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