Time da Virada: a história da música do Vasco nascida em 1988

Time da Virada sempre ecoa forte nos estádios, e eu, que acompanho a trajetória vascaína de perto, revivi a emoção ao resgatar a origem desse canto que embala o torcedor há quase quatro décadas.

A canção, símbolo de resistência nas arquibancadas, surgiu em 29 de maio de 1988, quando o Vasco arrancou uma virada histórica sobre o Fluminense e ergueu a Taça Rio naquele ano. Desde então, o refrão se tornou sinônimo de esperança sempre que o placar é adverso.

Time da Virada: a história da música do Vasco nascida em 1988

O ponto de partida foi o clássico no Maracanã. Aos 35 minutos da etapa final, Vivinho empatou o jogo, e, dois minutos depois, o jovem Bismarck, de apenas 18 anos, sacramentou a vitória por 2 a 1. O título da Taça Rio estava garantido, e, semanas depois, o clube confirmaria o Campeonato Carioca diante do Flamengo. Daquela noite nasceu o canto que começaria com “O Vasco é o time da virada, o Vasco é o time do amor”.

Em entrevista ao Globo Esporte, Bismarck definiu aquele gol como um dos grandes momentos da carreira: “Foi um orgulho ter sido atuante naquele jogo pra que a torcida se inspirasse e fizesse a música”. O ex-meia estará novamente no Maracanã nesta quarta-feira, mas, desta vez, como torcedor, torcendo para que o time não precise buscar o resultado.

Do samba ao hino de arquibancada

A melodia adotada pela torcida vascaína tem raízes no Carnaval carioca. O refrão foi adaptado de um samba da Beija-Flor, composto por Neguinho da Beija-Flor, Gilson e Mazinho, campeão em 1978 com o enredo “A criação do mundo na tradição nagô”. O trecho original dizia:

  • “Iererê, ierê, ierê, ôôô”
  • “Travam um duelo de amor”
  • “E surge a vida com seu esplendor”

Neguinho, declaradamente flamenguista, já declarou em 2016 que se sente honrado pela apropriação vascaína: “Agradeço ao Vasco por ter imortalizado o samba”. A popularização do canto ganhou força nos anos 1990, quando o clube acumulou viradas marcantes e a torcida passou a entoá-lo de forma contínua.

Viradas históricas reforçam a mística

Apesar de ter sido oficializada em 1988, a fama de “Vascão Vira-Vira” aparecia desde 1975, quando uma sequência de reviravoltas rendeu o primeiro apelido. Décadas depois, a mística segue atual:

  • Em 2024, com Renato Gaúcho no comando, o Vasco virou sobre o Palmeiras em São Januário: 2 a 1.
  • Na rodada seguinte, no Mineirão, arrancou empate em 3 a 3 após sair perdendo do Cruzeiro.
  • O clássico contra o Fluminense desta quarta-feira, às 21h30, no Maracanã, reacende a lembrança da noite que originou a música.

No Brasileirão, o Vasco ocupa a 15ª posição, com cinco pontos, e busca estabilidade para se afastar da zona de rebaixamento. A torcida, entretanto, mantém a confiança de que “o time da virada” sempre encontrará forças para reagir.

Bismarck, convidado especial da diretoria para acompanhar a partida, brincou: “Espero não ouvir que ‘o Vasco é o time da virada’ na quarta-feira. Quero o Vasco na frente do início ao fim”.

Por que a música permanece viva?

Quase quatro décadas depois, o canto continua relevante porque sintetiza valores caros ao torcedor:

  • Resiliência: lembra que o resultado só acaba no apito final.
  • Identidade: conecta gerações diferentes em uma mesma melodia.
  • Tradição: carrega a história de um título conquistado na superação.

A cada novo jogo, o simples ato de entoar “O Vasco é o time da virada” renova a crença coletiva no improvável, mantendo acesa a chama que se acendeu em 1988.

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Resumo: a música “Time da Virada” nasceu em 29 de maio de 1988, após gol decisivo de Bismarck sobre o Fluminense na final da Taça Rio. Adaptado de um samba da Beija-Flor, o canto tornou-se hino de viradas do Vasco e permanece vivo nas arquibancadas. Siga navegando pelo Mais Bola e descubra outras curiosidades do futebol brasileiro.

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